Visão Assistencial Integral

A industria da saúde forma uma teia extremamente complexa e muitas vezes com interesses conflitantes entre seus participantes. A relação entre a necessidade do lucro no modelo capitalista e a melhoria da condição de saúde das pessoas pode gerar alguns conflitos de interesses difíceis de serem gerenciados pelas corporações da área de saúde.

Entre os poucos tópicos de consenso entre os profissionais da área de saúde, a limitação dos recursos disponíveis para o cuidado das pessoas talvez seja o mais relevante. Os custos em saúde crescem exponencialmente em quase todas as culturas e sistemas de saúde no mundo. Incorporar o avanço da tecnologia e controlar os custos assistencias é um dos maiores desafios do setor de saúde. Com um cenário desafiador como este, a correta gestão dos recursos existentes torna-se fundamental.

Se não podemos aumentar os recursos disponíveis, temos obrigação de gerir melhor os recursos existentes. Neste sentido, entendemos que podemos evoluir em muitos pontos, gerando uma economia para o sistema de saúde como um todo. O desperdício em saúde é muito grande e vai desde diagnósticos e tratamentos equivocados, passando pela fraude e corrupção e até processos operacionais ineficazes. Uma forma de reduzir este desperdício do sistema é a integração dos recursos.

Atualmente, a tecnologia é um grande aliado dos gestores de saúde e deve ser utilizada de forma ampla na busca de uma visão assistencial integral. Não é possível negar que existem grandes avanços na gestão dos sistemas de saúde. Grandes conglomerados hospitalares possuem tecnologia de ponta, tanto nos equipamentos disponíveis para o tratamento das pessoas como na gestão interna de seus serviços. Operadoras de saúde possuem alta tecnologia na gestão dos custos médicos e nos serviços oferecidos aos seus clientes, e até mesmo consultórios e clínicas de pequeno e médio porte tem acesso a sistemas de gestão eficientes.

Acreditamos que o problema não seja a falta de tecnologia disponível, mas sim a falta de integração entre elas. A visão de integração das informações disponíveis passa pelo entendimento da visão integral do indivíduo e do real objetivo do sistema de saúde. Entendemos que o sistema de saúde deve ter seu foco principal na melhoria da condição de saúde das pessoas e todos os seus recursos devem estar direcionados para este fim. Podemos definir simplesmente como foco no cliente. Um conceito muito debatido nas corporações, tema de muitos livros e palestras no mundo dos negócios, mas paradoxalmente ainda engatinhando na indústria da saúde.

Se acreditamos que o objetivo principal do sistema de saúde deve ser as pessoas, precisamos desenvolver um sistema de gestão coerente com seu propósito. Pessoas são seres integrais, e precisamos entender as cuidados disponíveis de forma mais holística. Nos modelos atuais, compartimentamos as pessoas em contratos distintos, em serviços e procedimentos desconectados. Se entendemos as pessoas como um ser humano único, e dia após dia compreendemos melhor a necessidade de um tratamento mais completo e integrado, precisamos criar modelos de gestão em sintonia com esta proposta.

A falta de integração no sistema de saúde está evidente mesmo em situações muito simples, como a necessidade de se repetir procedimentos de diagnóstico por imagem. Exames simples como um RX, são exemplos do desperdício do sistema gerando custos em duplicidade e expondo o paciente a uma exposição radiográfica desnecessária, por falta de integração entre os serviços de saúde disponíveis. Uma radiografia deveria pertencer ao cliente e ser compartilhada por todos os profissionais envolvidos no cuidado do paciente, mas não é isto que acontece na maioria dos casos.

A tecnologia está disponível, o problema é a falta de visão integral do sistema por parte dos seus gestores. Além da economia dos recursos, que poderiam ser alocados em outros tratamentos, existe ainda a melhoria dos serviços prestados, reduzindo processos operacionais desnecessários e produzindo uma prestação de serviços mais eficiente.

A necessidade de integração do sistema de saúde vai muito além deste exemplo. Precisamos integrar todas as informações assistenciais das pessoas, todas as suas consultas, exames, cirurgias e procedimentos realizados em todos os serviços de saúde disponíveis. Áreas importantes no cuidado das pessoas como a odontologia, psicologia, fisioterapia, entre outras devem estar incluídas na visão de gestão integral.

Não é apenas a medicina que cuida das pessoas, e muitas vezes a medicina não é capaz sozinha de resolver os problemas. Equipes multidisciplinares são cada vez mais necessárias e os sistemas de gestão devem acompanhar esta visão.

Precisamos gerenciar os sistemas de saúde com a mesma visão multidisciplinar com que os serviços são oferecido às pessoas, caso contrário não se consegue realizar uma gestão eficiente.

Entendendo este cenário, a Via Saúde foi criada para ajudar as corporações a gerenciar de forma mais eficientes seus recursos investidos na saúde dos seus colaboradores. Nosso jeito inovador de gestão integra a medicina assistencial, a medicina ocupacional, a assistência odontológica e gestão de medicamentos em uma única base de dados, agrupando todas as informações disponíveis.

Este debate faz parte do dia a dia dos executivos da Via Saúde, que discutem há vários anos como melhorar o sistema de saúde no Brasil. Devido a complexidade do tema e as várias opiniões existentes, iremos utilizar este espaço para discutirmos alguns conceitos e buscar a evolução do nosso sistema de saúde.

Participe, critique, dê sugestões e colabore para que possamos construir um sistema de saúde mais eficiente e mais humano.

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